domingo, 29 de maio de 2011

Estou ouvindo vozes...

Recebemos a visita da psicóloga da escola Vivendo e Aprendendo, como parte dos seminários decorrentes do Tutorial 2. A grande diferença desta instituição me pareceu estar no papel que é dado aos seus alunos – muitos dos conteúdos que serão tratados durante as aulas são discutidos com os próprios alunos em sala, que tem a possibilidade de se manifestar como interessados ou não, participando ativamente no planejamento do que será ministrado. Embora eu não tenha certeza da forma que esse protagonismo se dá (se os alunos escolhem tudo o que querem aprender ou se há temas obrigatórios), a partir do relato da psicóloga, me pareceu claro que a Vivendo é uma das poucas escolas que dá a necessária importância às opiniões dos diversos atores que a compõe, havendo atenção específica à demanda relatada pelos próprios alunos. As aulas também pareceram ser muito mais vivenciais, havendo uma ligação permanente entre os conteúdos aprendidos e a realidade prática, além de uma consideração do caráter subjetivo das experiências e aprendizados de cada um.


Além disso, o papel da psicóloga parece ser construído junto com os alunos, sendo perguntado a elas o que acham que a psicóloga faz. Embora tenha sido uma experiência relatada, e se configurado basicamente em devolver a pergunta de uma criança que queria saber o que a psicóloga fazia, penso que esse movimento é interessante para ajudar a desenvolver esse papel, bem como desmistificar concepções errôneas sobre o profissional em questão. Mais uma vez é dada voz aos estudantes da instituição, sendo suas demandas por entendimento consideradas para evitar imposições.


Uma outra novidade para mim se traduziu pela exemplificação do método de ensino da escola. Segundo a psicóloga, as crianças nunca são instruídas a fazerem fila. Pelo que afirma, isso costuma causar um tumulto na hora de sair da sala, por exemplo, pois todos querem sair ao mesmo tempo; contudo, nenhuma criança atropela ou pisoteia uma outra, pois seus esquemas corporais e noções espaciais estão desenvolvidos nesse sentido, pela experiência que muitas vezes é podada pela contenção e limitação do comportamento das crianças. Eu, que tive a oportunidade de visitar São Paulo não faz muito tempo e me surpreendi com a frequência com que esbarrava nas pessoas ao caminhar pela rua, me questionei no que realmente ajudou ter aprendido desde a escola que tenho que fazer filinhas – muitas são as situações (cotidianas ou de desespero) em que essa falta de treinamento espacial prejudicaram o domínio do meu próprio corpo no espaço, ou foram inúteis durante o pernas pra que te quero! Por isso mesmo, senti que a Vivendo e Aprendendo estaria preparando seus alunos para a vida, não se focando em alguns aprendizados supervalorizados (tão básicos que podem ser ensinados pelos próprios pais, ou por pares). Não colocarei esta escola num pedestal, afirmando-a superior em relação a todas as outras, e tampouco desvalorizarei estratégias que estimulem a organização e o comportamento saudável em sociedade, mas faço questão de destacar a importância do questionamento das práticas educativas e da reflexão sobre a proposta pedagógica a cada dia no contexto de uma escola, seja como educador, psicólogo ou diretor da instituição.





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