segunda-feira, 4 de julho de 2011

Super-Homem ou Capitão-Feio?!


Fui buscar minha irmã na aula hoje e nós voltamos falando sobre educação, pela primeira vez nos 17 anos dela (isto é, excluindo as inúmeras vezes em que nos juntamos para falar mal da nossa escola). Ela recomendou que eu assistisse um documentário chamado Waiting For Superman, do qual eu já havia visto pequenos trechos. Esse documentário aborda o problema da educação nos Estados Unidos, o que já serve de choque para todos que acham que tudo é perfeito "do lado de lá". Segundo minha irmã, o diretor fala (no começo do filme, que eu perdi) que está desapontado com a situação no seu país e que sente remorso também. Ele havia feito há um bom tempo atrás um outro documentário sobre o esforço dos professores no ensino público norte-americano – após ter feito o filme, ele foi incoerente com o que propunha à audiência e não matriculou seus filhos em escolas públicas. Sentindo-se hipócrita, ele encontrou motivação para fazer o seu segundo documentário, com o intuito de investigar o que havia de tão errado com o sistema de educação pública para lhe inspirar tamanha falta de confiança.



Pelo que vi, a câmera acompanha a dificuldade de estudantes que acabam não tendo oportunidades de estudar sob condições melhores, tendo seus potenciais desperdiçados, bem como a batalha de educadores para conseguirem mudanças na legislação e no sistema educacional, permitindo assim a maior inclusão dos alunos. Uma outra coisa que tocou muito, e que parece ter sido a essência do filme, é o destaque que se dá para o esforço de cada um (não individualista, como prega o capitalismo ocidental, mas em um coletivo) – o diretor faz questão de apontar que, apesar das barreiras e da falta de interesse do Estado, são os alunos aplicados e interessados em estudar, bem como os profissionais que se desdobram infinitamente e nadam contra a correnteza para garantir uma educação diferenciada (assim como o aproveitamento ou pelo menos a valorização do potencial de seus alunos), os verdadeiros "super-heróis" que tem sido a semente de mudança na educação norte-americana.



Após esse exercício de exaltação do esforço e beleza da nação estadunidense, me pergunte qual a diferença entre o que acontece lá e o que acontece aqui, no Brasil? Simples! Ninguém faz documentário aqui. É claro que isso é uma generalização e provavelmente existem documentários sim, mas eles tem pouca visibilidade, o que explica porque tão poucas pessoas se preocupam com a educação na hora de eleger um representante ou refletir sobre a situação econômica do país. Minha irmã refletiu sobre essa proposta de fazer um documentário com objetivo de arrecadar fundos (ao fim do filme, o diretor incentiva os que o assistiram a fazer doações para a educação pública), com um propósito mais nobre do que a fama e a auto-promoção. Ela afirmou que se o mesmo fosse feito aqui, seria um documentário enorme, com muito o que falar, mas ao mesmo tempo se perguntou se teria o mesmo impacto que a versão estadunidense.



Minha irmã pareceu-me indignada. Ela disse que todo mundo parece reclamar da situação, que os políticos falam ser a educação no país a sua prioridade, mas no fim das contas esses mesmos indivíduos escondem tudo debaixo do tapete, não fazem nada pelo sistema de educação e fingem que está tudo bem. Ela reconhece que há exceções, mas observa que, do lado de cá, ninguém quer fazer um documentário ou uma ação séria para arrecadar fundos para escolas e outras instituições públicas. Ela lamentou, enfatizou que seria admirável se alguém fizesse um documentário aqui e redigiu no seu tumblr um comentário sobre isso, mas ficou com vergonha de tê-lo feito; eu, como típico irmão mais velho, decidi postar o comentário mesmo assim, pois é isso que irmãos mais velhos fazem! Hwahahaha! O endereço dessa postagem, que está em Inglês, é http://excentricbirds.tumblr.com/post/7138091103/waitingforsuperman



Eu aproveitei para perguntar por que ela estava com vergonha. Ela respondeu que era porque as pessoas não gostam de ler sobre essas coisas em tumblrs e blogs, e preferem ver vídeos, "fotinhas" e coisas sobre o mundo das celebridades. Ela ficou na dúvida, mas decidiu escrever de qualquer forma; ela considera um seu tumblr um diário, e gostaria de revê-lo, um dia no futuro, para lembrar o que viveu e pensou, bem como repensar as questões de sua reflexão mais à frente. Se alguém tiver interesse em conhecer mais do tumblr dela, visite

http://excentricbirds.tumblr.com/

Fiquei imensamente feliz em poder conversar com minha irmã sobre o tema, e isso me fez refletir que os alunos tem uma percepção bastante aguçada do que acontece no ambiente escolar, mesmo que só alguns se disponham a elaborar ou discutir sobre isso (sem cair no lugar comum do falar mal do professor porque ele dá prova ou dever de casa). Nesse sentido, reflito sobre a importância de se abrir um espaço de discussão com os alunos, que constituem uma das mais fortes vozes institucionais em um ambiente de ensino.



Por fim, eu gostaria de agradecer a minha irmã Bianca por compartilhar esses pensamentos comigo e por se interessar, da forma que fez, pelo tema. Tenho certeza de que ela será uma profissional de sucesso e uma pensadora de excelência, superando muito a minha capacidade e minhas reflexões. Afinal de conta, se ela já está me prestando consultoria hoje, imagine daqui a alguns anos!



Beijão Bidu!



PS: Ressuscitar apelidos também faz parte do papel de irmão mais velho! Mwahahaha!

terça-feira, 31 de maio de 2011



Inspirado pela fala da psicóloga da Vivendo e Aprendendo, e pelas minhas próprias elocubrações, posto hoje uma música do grupo de hip hop americano City High, disponibilizando também sua letra (em inglês e português). Serve para ilustrar um pouco a importância de se ouvir as vozes dos alunos ao se estruturar uma instituição de educação, ao invés de se apegar a preconceitos e profecias auto-realizadoras. Espero que gostem!







City High – City High Anthem



They just gave up on our entire generation
So we were all pushed to the side cuz we didn't see the world through our teachers eyes
When all we needed was a little bit of motivation
But because we wore our pants saggin' y'all labelled us gangstas
And said we wasn't worth the time

There are so many things I never asked you
There are so many things I still don't know
There are so many things you never told me
And still so many things that I will never know
and why, cuz I went to City High

A school with more drop outs than sign-ups at registration
And the pregnancy rate is at an all-time high, we all know why
Now you would think the classroom's the place for mental stimulation
But it's some brothers outside sellin' that stuff, that'll really stimulate your mind, (talk about gettin' high)

There are so many things you never showed me,
There are too many things you let slip by,
How can I face a world that doesn't know me
A world that doesn't care whether I live or die,
And why, cuz I go to City High

So, We don't need your education
We don't want no pacifier
We are the leaders of your nation
We're gonna make sure the world survives
There ain't no justice there's just us
What happened to the meaning of "in God we trust"
So as we get older and our children grow up
We ain't gonna teach them what y'all showed us

There's too many babies dyin' before they're born (Lord ain't that the truth)
Too many young ladies cryin' with a daddy in the house but not a father in the home (now y'all know there's a difference)
And what about all our young soldiers being led astray (by this negative music)
What happened to the Isaac Hayes, and the Curtis Mayfield's and all the Marvin Gayes?
Man we really need 'em today

And there were so many things that needed explaining
But you said it was too late for me to learn
You were suppose to be my shelter when it was rainin'
But instead you left me out here all alone, so I gotta make it on my own

We don't need your education
We don't want no pacifier
We are the leaders of your nation
We're gonna make sure the world survives
There ain't no justice there's just us
What happened to the meaning of "in God we trust"
So as we get older and our children grow up
We ain't gonna teach them what y'all showed us

For people who did believe, what we could do to change our future, you knew the world was in our hands, help build them strong so they can withstand, all the pressures, all the war, all the prejudice, when the others were sure we couldn't fight the stress in life.


For those of you who didn't believe us, listen to my words for you, listen to your children sing to you

We don't need your education
We don't want no pacifier
We are the leaders of your nation
We're gonna make sure the world survives
There ain't no justice there's just us
What happened to the meaning of "in God we trust"
So as we get older and our children grow up
We ain't gonna teach them what y'all showed us


[Repeat x1]


Tradução


Eles acabaram de desistir de nossa geração inteira
Então fomos todos deixados de lado por não vermos o mundo através dos olhos de nossos professores
Quando tudo o que precisávamos era de um pouco de motivação
Mas porque usávamos calças largas vocês nos rotularam de bandidos
E disseram que não valíamos a pena

Há tantas coisas que eu nunca lhes perguntei
Há tantas coisas que eu ainda não sei
Há tantas coisas que vocês nunca me disseram
E, ainda, tantas coisas que eu nunca saberei
E porque? Por que eu frequentava City High (a "Escola das Ruas")

Uma escola com mais desistências do que inscrições
E a taxa de gravidez está em constante elevação, todos sabemos por quê
Você pensaria que a sala de aula é o lugar para estimulação mental
Mas são os manos lá fora, vendendo suas mercadorias, quem realmente estimularão sua mente (nem me fale de ficar "doidão")

Há tantas coisas que vocês nunca me mostraram,
Há coisas demais que vocês deixaram escapar,
Como posso enfrentar um mundo que não me conhece
Um mundo que não se importa se eu viverei ou morrerei,
E porque? Por que eu frequento City High

Então, não precisamos de sua educação
Nós não queremos nenhuma chupeta
Nós somos os líderes de sua nação
Nós vamos garantir que o mundo sobreviva
Não há justiça, há apenas nós
O que aconteceu com o significado de "em Deus nós confiamos"?
Então, quando ficamos mais velhos e nossos filhos crescerem
Nós não vamos ensinar-lhes o que vocês nos mostraram

Há muitos bebês morrendo antes de serem nascidos (Senhor, não é essa a verdade?)
Too many young ladies cryin' with a daddy in the house but not a father in the home (now y'all know there's a difference) Muitas mocinhas chorando pois tem um papaizinho, mas não um pai em casa (vocês sabem que há uma diferença!)
E o que dizer de todos os nossos jovens soldados sendo desviados (por esta música negativa)
O que aconteceu com os Isaac Hayes, os Curtis Mayfields e os e todos os Marvin Gayes?
Cara, a gente realmente precisava deles hoje!

E havia tantas coisas que precisavam ser explicada
Mas vocês disseram que era tarde demais para eu aprender
Vocês deveria ter sido meu abrigo quando estava chovendo
Mas em vez disso vocês me deixaram aqui sozinho, então eu tenho que me virar sozinho

Então, não precisamos de sua educação
Nós não queremos nenhuma chupeta
Nós somos os líderes de sua nação
Nós vamos garantir que o mundo sobreviva
Não há justiça, há apenas nós
O que aconteceu com o significado de "em Deus nós confiamos"?
Então, quando ficamos mais velhos e nossos filhos crescerem
Nós não vamos ensinar-lhes o que vocês nos mostraram


Para as pessoas que acreditaram no que poderíamos fazer para mudar o nosso futuro, vocês sabiam que o mundo estava em nossas mãos – ajudaram a fortalece-los para que pudessem suportar todas as pressões, toda a guerra, todo o preconceito, quando outros tinham certeza de que nós não daríamos conta do estresse da vida.

Para aqueles de vocês que não acreditaram em nós, essas são minhas palavras para vocês, ouçam suas crianças cantando-as para vocês

Então, não precisamos de sua educação
Nós não queremos nenhuma chupeta
Nós somos os líderes de sua nação
Nós vamos garantir que o mundo sobreviva
Não há justiça, há apenas nós
O que aconteceu com o significado de "em Deus nós confiamos"?
Então, quando ficamos mais velhos e nossos filhos crescerem
Nós não vamos ensinar-lhes o que vocês nos mostraram


(Repete x1)

domingo, 29 de maio de 2011

Estou ouvindo vozes...

Recebemos a visita da psicóloga da escola Vivendo e Aprendendo, como parte dos seminários decorrentes do Tutorial 2. A grande diferença desta instituição me pareceu estar no papel que é dado aos seus alunos – muitos dos conteúdos que serão tratados durante as aulas são discutidos com os próprios alunos em sala, que tem a possibilidade de se manifestar como interessados ou não, participando ativamente no planejamento do que será ministrado. Embora eu não tenha certeza da forma que esse protagonismo se dá (se os alunos escolhem tudo o que querem aprender ou se há temas obrigatórios), a partir do relato da psicóloga, me pareceu claro que a Vivendo é uma das poucas escolas que dá a necessária importância às opiniões dos diversos atores que a compõe, havendo atenção específica à demanda relatada pelos próprios alunos. As aulas também pareceram ser muito mais vivenciais, havendo uma ligação permanente entre os conteúdos aprendidos e a realidade prática, além de uma consideração do caráter subjetivo das experiências e aprendizados de cada um.


Além disso, o papel da psicóloga parece ser construído junto com os alunos, sendo perguntado a elas o que acham que a psicóloga faz. Embora tenha sido uma experiência relatada, e se configurado basicamente em devolver a pergunta de uma criança que queria saber o que a psicóloga fazia, penso que esse movimento é interessante para ajudar a desenvolver esse papel, bem como desmistificar concepções errôneas sobre o profissional em questão. Mais uma vez é dada voz aos estudantes da instituição, sendo suas demandas por entendimento consideradas para evitar imposições.


Uma outra novidade para mim se traduziu pela exemplificação do método de ensino da escola. Segundo a psicóloga, as crianças nunca são instruídas a fazerem fila. Pelo que afirma, isso costuma causar um tumulto na hora de sair da sala, por exemplo, pois todos querem sair ao mesmo tempo; contudo, nenhuma criança atropela ou pisoteia uma outra, pois seus esquemas corporais e noções espaciais estão desenvolvidos nesse sentido, pela experiência que muitas vezes é podada pela contenção e limitação do comportamento das crianças. Eu, que tive a oportunidade de visitar São Paulo não faz muito tempo e me surpreendi com a frequência com que esbarrava nas pessoas ao caminhar pela rua, me questionei no que realmente ajudou ter aprendido desde a escola que tenho que fazer filinhas – muitas são as situações (cotidianas ou de desespero) em que essa falta de treinamento espacial prejudicaram o domínio do meu próprio corpo no espaço, ou foram inúteis durante o pernas pra que te quero! Por isso mesmo, senti que a Vivendo e Aprendendo estaria preparando seus alunos para a vida, não se focando em alguns aprendizados supervalorizados (tão básicos que podem ser ensinados pelos próprios pais, ou por pares). Não colocarei esta escola num pedestal, afirmando-a superior em relação a todas as outras, e tampouco desvalorizarei estratégias que estimulem a organização e o comportamento saudável em sociedade, mas faço questão de destacar a importância do questionamento das práticas educativas e da reflexão sobre a proposta pedagógica a cada dia no contexto de uma escola, seja como educador, psicólogo ou diretor da instituição.





segunda-feira, 18 de abril de 2011

Da abstração à mediação

Hoje realizamos o nosso seminário, apresentando os resultados de nossa replicação dos experimentos de Luria sobre raciocínio e resolução de problemas. Conforme observamos, os participantes com pouca escolarização tiveram dificuldade de responder as perguntas, principalmente quando se tratavam de problemas que envolviam tempo (unidade abstrata). Observamos também um apego à experiência própria nas respostas destes participantes (bem como breve lampejos deste apego nas respostas do participante com ensino superior completo também), o que compreendi sob a óptica teórica de Luria como uma necessidade de se apegar à verdade que se conhece – quando não dispõem das ferramentas e conhecimentos exigidos pela situação problema, os indivíduos se atém á vivência própria e a detalhes irrelevantes, pois esta é a verdade que conhecem e que tem ao alcance das mãos. Acredito, contudo, que todos os seres humanos, em suas experiências individuais e subjetivas, percebem o mundo de forma diferente, única, e que mesmo a resposta mais racional e matematicamente complexa transborda individualidade e vivência!

Um exemplo interessante disto que destaco foi quando o participante mais escolarizado cometeu um engano na primeira questão – após respondê-la corretamente, fez novos cálculos e emitiu uma resposta errada, que logo em seguida revogou (ao se dar conta de que a primeira era mesmo a correta). Ele disse que achava que a pergunta era um “pega”, justamente por parecer fácil e óbvia demais, e por isso se confundiu. Quando da nossa apresentação, a professora argumentou que procurar por pegas na pergunta seria a abstração por excelência – concordo com ela, mas ao avaliar a situação, e também a minha própria vivência, imagino que procurar por pegas é ao mesmo tempo abstrair e se ater a um concreto, o concreto da própria experiência. (Ex)Alunos da UnB, como o entrevistado e eu, tem treinamento em buscar pegas e armadilhas em questões de provas, estratégia esta exigida pela lógica das provas de vestibular. Dessa forma, embora requeira uma capacidade de abstração específica, nossa visão segue contaminada por nossa experiência prática passada, continuamos a procurar pega onde muitas vezes não há.

Estando certo ou errado nessa minha reflexão (isto é, se realmente existir um certo e um errado), estou seguro de que a dimensão cultural é a essência para compreender o processo de desenvolvimento e também de aprendizagem do ser humano. Creio que cada um indivíduo tem a sua própria percepção do mundo, e o conjunto de sistemas simbólicos que chamamos de cultura está entre os principais responsáveis pela formação destas distintas subjetividades. Após cada apresentação (além do nosso, houve também um seminário sobre silogismos e outro sobre percepção), a professora enfatizou a importância das estratégias de mediação utilizadas por educadores ao transmitir o conteúdo. Compreendo esse processo como uma forma de respeitar a existência das tantas subjetividades distintas dentro de uma sala de aula, mas revelo que ainda não compreendi muito bem o que é essa “mediação” e como funcionam suas estratégias; por enquanto, me limito a fazer considerações superficiais sobre as mesmas.

A professora mencionou a estratégia utilizada por educadores ao ensinar os números para alunos pré-escolares. Imediatamente lembrei-me de minha alfabetização: como cada letra tinha um personagem, uma historinha, e que nós mesmos chegamos a atuar, representar o papel dessas personagens em apresentações escolares; o “B” era o Jardineiro Barrigudo, o “C” era o Coelho que quando botava o rabinho virava o “Ç”... Compreendi (espero que corretamente), após uma série de considerações de nossa atual professora, que muitas vezes as estratégias elaboradas para transmitir o conteúdo não são retidas em si, mas ainda assim são vitais para o aprendizado. Contemplo este tema como similar ao debate sobre didática, ponto em que muitos educadores falham hoje. O importante não é divertir a turma com piadas e trocadilhos, ou usar uma infinidade de recursos áudio-visuais durante a exposição – o essencial é passar uma determinada mensagem, e o educador deve fazê-lo pelos meios mais eficientes à sua disposição.



A minha reflexão se expande inclusive para os conteúdos ministrados em sala de aula – muitas vezes o professor julga que os alunos não precisarão desta matéria, ou nunca farão uso daquela fórmula, ou mesmo jamais serão capazes de entender aquele conceito. Tal atitude, imbuída de profecias auto-realizadoras, é a verdadeira limitadora do aluno, que envenena o seu potencial e interrompe o seu desenvolvimento. Cabe ao educador oportunizar aos educandos a recepção de conceitos e conhecimentos, bem como de permitir que eles decidam por si próprios o que querem fazer com o que receberam – se desejam aceitar, transformar e utilizar, ou se preferem rejeitar a idéia e descartá-la por falta de necessidade. Imagino que é exatamente nesse sentido que o papel do professor é o de mediador do conhecimento, mas creio ser cedo para me precipitar e afirmá-lo.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Nunca vi mais gordo...

Para a nossa primeiríssima atividade, fomos incumbidos com a tarefa de refletir e descrever o que é ser um psicólogo escolar. Eis a descrição que me veio à mente, com minhas próprias palavras:

“Ser psicólogo escolar é estar atento às demandas educacionais e de aprendizagem de uma pessoa ou grupo de pessoas em contexto educacional (escola, faculdade, empresa, organização, etc), acolhendo-as e intervindo no sentido de promover mudanças (em nível individual, institucional ou social) que permitam o atendimento destas demandas, tendo em vista proporcionar uma melhor condição de aprendizado, bem como o bem estar da(s) pessoa(s) envolvida(s). O psicólogo escolar também precisa estar atento às demandas dos profissionais e educadores envolvidos no processo, desenvolvendo trabalhos com eles e se atentando para as mudanças necessárias para contemplar seus interesses e melhores condições para o seu trabalho.”




Texto redigido em 21/03/2011









Este foi apenas o primeiro memorial da disciplina. Vejamos como essa descrição, essa visão do psicólogo escolar muda ao longo das discussões e reflexões do curso.

terça-feira, 22 de março de 2011

Volta às Aulas

Dou início hoje ao meu blog/diário de bordo, e o faço (como sempre) atrasado.



O problema que mais me deteve foi saber como começar, como expor minhas idéias, o que considerar em minhas postagens, ou seja, o que seria relevante comunicar aqui. Decidi então que despejarei minhas idéias respeitando as demandas de minha mente-ser, registrando tudo o que der vontade (incluindo sentimentos) e, ao longo do processo, tentando lapidar as idéias brutas e transformá-las em reflexões mais profundas, ao longo do curso da disciplina e do amadurecimento de meus conhecimentos e pensamentos.



O outro obstáculo que encarei foi como estruturar essas idéias, como criar um meio de comunicação eficiente e que seguisse uma ordem cronológica constante. Descobri, considerando meu funcionamento e limitações, que uma solução perfeita jamais surgiria, e, portanto, optei por iniciar logo e contornar esse problema – ficar refletindo só me tomaria mais tempo, dificultando ainda mais a organização das idéias em uma sequência temporal, e eu não conseguiria expor/criar nada.



Optei por registrar as coisas que já escrevi com uma referência de quando as redigi, bem como utilizar (quando me for conveniente) a data das aulas referentes, para fins de localização de quem decidir passar os olhos por minhas reflexões. Dessa forma, não mais adio o início da atividade, e também respeito meu tempo próprio – pois nem tudo que eu quiser preparar e postar ficará pronto a tempo da aula seguinte.





Sem mais delongas, inauguro então o meu blog/diário, pedindo aos céus que dê certo!